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Se a sua empresa é atendida em alta tensão, existe uma linha na fatura de energia que costuma passar despercebida e que responde por uma fatia relevante do custo mensal: o consumo e a demanda do seu gerador no horário de ponta.

É um intervalo curto, de três horas consecutivas em dias úteis, com início definido por cada concessionária entre 17h e 22h. Nesse período, a tarifa é mais cara. Dependendo da distribuidora, o valor pago pode ser até três vezes maior do que fora da ponta. Foi exatamente essa diferença que criou, no Brasil, o uso do grupo gerador como ferramenta de redução de custo, e não apenas como fonte de contingência.

A pergunta que importa é objetiva: para a sua operação, gerar a própria energia nessas três horas sai mais barato do que comprar da concessionária? Este texto mostra como montar essa conta com os dados que você já tem em mãos.

Por que a energia custa mais na ponta

No fim da tarde e no início da noite, a demanda sobre o sistema elétrico cresce de forma concentrada. Para equilibrar a curva de carga e induzir o deslocamento de consumo, o setor adota tarifas diferenciadas nesse intervalo. Consumidores atendidos em alta tensão, reunidos no chamado Grupo A, contratam essa energia em modalidades horo-sazonais.

Existem duas modalidades principais, e a diferença entre elas está justamente no tratamento da ponta:

  • Tarifa azul: o custo de ter potência disponível na ponta é cobrado separadamente, como demanda de ponta, em reais por kW. É possível contratar valores diferentes de demanda para ponta e para fora de ponta.
  • Tarifa verde: não existe demanda de ponta contratada em separado. Esse custo vai embutido no preço do kWh consumido dentro da ponta, o que faz esse kWh custar bem mais do que o de fora de ponta.

Saber em qual modalidade a sua unidade está é o primeiro passo, porque ele define onde a economia aparece: em kW de demanda, em kWh de consumo ou nos dois.

As variáveis do cálculo

Para descobrir se compensa, você precisa comparar dois números: quanto custa comprar essa energia da concessionária e quanto custa produzi-la. Os dados necessários estão em dois lugares apenas, a fatura de energia e a ficha técnica do equipamento.

Do lado do custo evitado, extraia da fatura:

  • A modalidade tarifária e o horário exato de ponta da sua concessionária.
  • O consumo em kWh registrado dentro da ponta no mês.
  • A demanda faturada de ponta em kW, quando houver, e a tarifa correspondente.
  • O número de dias úteis do período faturado, já que a ponta não se aplica em fins de semana e feriados.

Do lado do custo de gerar, levante:

  • O consumo específico de combustível do equipamento, informado pelo fabricante para o percentual de carga em que ele vai operar. Esse número é o que converte horas de operação em litros de diesel.
  • O preço do diesel efetivamente pago pela empresa, considerando a forma de abastecimento.
  • O custo de manutenção por hora de operação, que sobe quando o gerador passa a rodar todos os dias úteis.
  • A depreciação do equipamento e o custo do capital investido, no caso de compra.
  • Os custos de instalação que só aparecem uma vez, como quadro de transferência, adequação elétrica e obra civil.

Com esses dois blocos, o cálculo fica simples: multiplique as horas de operação mensais pelo consumo específico e pelo preço do combustível, some manutenção e depreciação por hora, e compare com o valor que a fatura cobraria por essa mesma energia e demanda na ponta.

Um ponto que muda tudo: a demanda contratada

Para verificar seu gerador no horário de ponta, em muitos casos, a economia maior não está no kWh, e sim na demanda. Ao assumir a carga com geração própria na ponta, a empresa pode rever o valor de demanda contratada para esse posto tarifário, o que reduz uma parcela fixa da fatura, independentemente do consumo.

Essa revisão precisa ser feita com cuidado e com histórico, porque contratar demanda abaixo do necessário gera cobrança por ultrapassagem. O caminho seguro é simular a fatura com o novo perfil antes de solicitar a alteração à distribuidora.

Quando a conta não fecha

Nem toda operação ganha com geração na ponta. Os cenários em que o investimento tende a não se pagar são conhecidos:

  • Operações com carga baixa no intervalo da ponta, porque o valor evitado é pequeno.
  • Empresas atendidas em baixa tensão, fora do regime horo-sazonal.
  • Instalações que conseguem deslocar processos para fora da ponta sem perda de produtividade, já que a solução operacional custa menos que a solução de equipamento.
  • Casos em que o preço do combustível local eleva demais o custo por kWh gerado.

Também vale registrar o inverso: em operações que já possuem gerador instalado apenas para contingência, o custo incremental de usá-lo na ponta é muito menor, porque o equipamento já está lá. Nesses casos, a análise costuma favorecer o uso.

O que o equipamento precisa ter para operar na ponta

Gerar energia todos os dias úteis é diferente de esperar por uma interrupção. Três pontos precisam estar resolvidos:

  • Regime de potência adequado. Um equipamento especificado para emergência não foi projetado para rodar centenas de horas por ano. O regime declarado precisa corresponder ao uso real.
  • Comutação automática. O quadro de transferência automática faz a troca entre rede e gerador de forma programada, sem intervenção manual e sem interrupção para as cargas.
  • Plano de manutenção compatível. Operação diária consome horas rapidamente, e o plano preventivo passa a ser contado por horas de operação, não apenas por calendário.

Perguntas frequentes

Qual é o horário de ponta da minha empresa?

São três horas consecutivas em dias úteis, definidas pela concessionária que atende a sua região, com início entre 17h e 22h. O horário exato consta na fatura e no site da distribuidora.

De quanto pode ser a economia?

Referências técnicas do setor apontam reduções que podem chegar a cerca de 30 por cento do custo de energia, já considerando o preço do diesel. O número real depende da sua modalidade tarifária, da carga na ponta e do consumo específico do equipamento, por isso a simulação com a sua própria fatura é indispensável.

Preciso trocar de modalidade tarifária?

Não necessariamente. A geração na ponta pode fazer sentido tanto na azul quanto na verde, e a modalidade ideal deve ser avaliada junto com a nova curva de carga.

Dá para usar o mesmo gerador para ponta e para contingência?

Sim, desde que o regime de potência e o plano de manutenção sejam definidos para o uso somado, e não apenas para a emergência.

Quer simular o seu caso?

Separe a sua última fatura de energia e a carga que precisa ser atendida no intervalo da ponta. Com esses dados, conseguimos indicar a potência adequada, o regime de operação correto e a estimativa de custo por kWh gerado, sem surpresa no orçamento e com a primeira ligação acompanhada no local.

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